11 de mai de 2013

Sexualidade e ativismos


A sexualidade está em pauta, ou como diria Michel Foucault, na ordem do discurso. Evangélicos e ativistas homossexuais estão em pé de guerra. Há perseguições e excessos em ambos os lados. Observo com critério as discussões, e, pelo que presumo, ambas as partes sairão prejudicadas do embate. Isso porque há excesso de ativismos, tanto de um lado quanto de outro. Na tentativa de impor suas “vontades de verdade”, evangélicos e homossexuais, trocam farpas e impropérios. Alguns desses, não poucas vezes, desrespeitosos, para não dizer, homofóbicos e evangelicofóbicos.
Em um país que pressupõe a liberdade de expressão, ainda que essa seja controlada pela mídia, pelos discursos da ordem, tanto evangélicos quanto homossexuais têm o direito de se posicionarem. O confronto é de natureza ideológica, de um lado estão os defensores dos princípios judaico-cristãos, que se baseiam na Bíblia, e que acreditam que o casamento é uma instituição divina, uma aliança entre um homem e uma mulher. Do outro, os homossexuais, que, fundamentados no materialismo, e em uma concepção cultural de casamento, argumentam que os homens, e não a divindade, deve determinar os padrões a serem seguidos.
Nenhum desses grupos conseguirá convencer o outro da verdade, pois partem de pressupostos distintos, e que, historicamente, estão consolidados na sociedade. Os evangélicos continuarão a defender seus princípios cristãos, os homossexuais, os fundamentos culturais do materialismo dialético. A disputa vai mais além porque ambos os grupos querem convencer a sociedade de que estão com a verdade. Quando a situação está posta em tal perspectiva, espera-se que alguém responda a questão: afinal, quem é detentor da verdade? Os evangélicos apelarão para a revelação, a expressão bíblica, os homossexuais, para a ciência, as comprovações acadêmicas.
A sociedade na qual estamos inseridos é marcadamente cientificizada, as pessoas cada vez mais valorizam o posicionamento científico. Mas esta é também uma sociedade religiosa, o ser humano precisa de alguém que lhe diga qual a maneira correta de viver. Diante desse empasse, ciência e fé caminharão sempre na direção oposta. A saída, se é que essa é possível, está no respeito mútuo. Os homossexuais têm o direito de viverem como bem entendem, mas não podem privar os evangélicos de se posicionarem em relação as suas crenças. Eles buscam direitos civis, uma espécie de contrato, que validem suas relações homoafetivas. Essa, no entanto, jamais poderá ser considerada “casamento”, pelo menos de acordo com o formato cristão.
Deus não impõe uma ditadura a quem quer que seja, Ele entregou o ser humano as suas escolhas, e esse prestará contas delas no futuro. Os evangélicos, mesmo que preguem com todo entusiasmo, jamais farão com que todas as pessoas se tornem cristãs. Os homossexuais, por um engajamento político, quererão tirar muitos do “armário”, mas nem todos sairão dele. A liberdade de expressão é importante, mas também a religiosa, as pessoas têm o direito de acreditarem. Os cristãos, por acreditarem na santidade, devem viver a partir dos pressupostos cristãos. Ter cautela é fundamental, a homossexualidade, na visão bíblica, é pecado, mas não é o único.
Há evangélicos que se envolvem em atos de adultério, que também é pecado, mas acham isso normal, e criticam os homossexuais pelas suas práticas. O moralismo em excesso pode resultar em hipocrisia, por outro lado, o ativismo homossexual pode ser tirano, por desrespeitar uma tradição, alicerçada no bem mais precioso para os religiosos, a sua fé. Enquanto os discursos se confrontam na arena do poder, o amor é esquecido, os cristãos, que deveriam estar firmados sobre esse, são os que mais pecam. Espera-se, daqueles que seguem a Cristo, a disposição para aceitar o outro, a mostrar-lhe, com graça, o caminho da cruz. Os homossexuais, principalmente os ativistas, precisam ampliar seus horizontes de crítica.
Evangélicos e homossexuais têm em comum a marginalização, tanto um grupo quanto o outro estão tentado se firmar, ganhar espaço no contexto da sociedade brasileira. A perseguição, desenfreada, evangelicofóbica e homofóbica, está escrita dos anais da história. É legítima a busca por autoafirmação, por reconhecimento social. Mas, enquanto isso, os poderosos dormem nas recâmeras da pobreza que se alastra. As lutas pelas inclusões foram absorvidas pelos neocapitalistas. Evangélicos, negros e homossexuais brigam por seu lugar ao sol, nos brejos e ruelas, os pobres não encontram quem os defendam.
Dormem todos em berço esplêndido, ninguém fala por eles, a não ser o Cristo, que não era evangélico nem homossexual, mas que amava os pobres e pecadores.