17 de fev de 2013

Missões cristocêntricas


Existem muitas perspectivas a respeito da obra missionária, antigas, modernas e pós-modernas. Essas últimas estão adquirindo cada vez mais adeptos no meio evangélico, cujo fundamento não é a Palavra de Deus, mas as concepções meramente humanas. O liberalismo teológico tem feito com que muitos missionários, outrora entusiastas da obra de Deus, se entregassem à obra dos homens. Evidentemente a missão precisa ser integral, porque esse é o modelo bíblico, o evangelho todo para o homem [e a mulher] integralmente.
Mas é preciso ter cautela para não perder o foco central da obra missionária. A função da igreja não é simplesmente fazer filantropia, ainda que essa seja necessária à manifestação da fé. Cristo, o Senhor e Comissionador da igreja, determina os fundamentos a partir dos quais a obra missionária deve ser conduzida. Ele é Aquele que a envia e, ao mesmo tempo, promete estar com ela até a consumação dos séculos. Não podemos esquecer que Cristo, e não a igreja por si mesma, é a base da missão.
Por isso, todos aqueles que estão envolvidos nesse trabalho devem voltar sempre que possível à Palavra. Os textos bíblicos da Grande Comissão é um exercício apropriado para não perder o foco da tarefa a ser desempenhada. Essas passagens se encontram em Mt. 28.16-20, Mc. 16.15; Lc. 24.46-48; Jo. 20.19-23; At. 1.3-12. Os relatos distintos dos evangelistas, Mateus, Marcos, Lucas e João não se contradizem, antes se complementam, na medida em que orientam a igreja quanto a sua função na obra missionária.
Cada um desses escritores bíblicos destacou um aspecto importante nos ensinamentos de Jesus a respeito desse assunto, cuja importância é atestada pela própria repetição do tema nos quatro evangelhos, reforçado no livro de Atos. Mateus fez o recorte do objetivo da obra missionária: “fazer discípulos”. Esse é um aspecto fundamental, principalmente nos dias atuais em que os pregoeiros querem apenas fazer volume.
A missão da igreja é fazer discípulos para Cristo, pessoas que neguem a si mesmas, e que estejam dispostas a carregarem a cruz do discipulado. Marcos aponta o alcance da missão: “por todo mundo”, ou para ser mais claro, “em todas as etnias”. A igreja não pode se dar ao luxo de escolher lugares para plantar igrejas, onde estiver um pecador estará ali uma alma carente de Deus, independentemente da condição socioeconômica.
Lucas trata a respeito do conteúdo da mensagem missionária, que não pode ser comprometido. A realidade do pecado e a necessidade de arrependimento, como condição para a salvação, não podem ser omitidas, sob a justificativa de ser humanisticamente correto. A igreja não está na terra para ser “politicamente correta”, mas para ser “teologicamente correta”. Para tanto, deve ouvir sempre o que o Espírito diz através da Palavra, e nela se pautar, ainda que seja alvo de perseguição.
João, por sua vez, destaca a autoridade dAquele que envia a igreja, não é ela que envia a si mesma, nem mesmo os missionários, pois esses são enviados, primeiramente, pelo próprio Cristo, que fora, enviando anteriormente pelo Pai. Por fim, Lucas, em seu registro dos Atos do Espírito Santo, estende o alcance da obra missionária, não apenas a Jerusalém, mas também Samaria e até aos confins da terra.
Mas a obra missionária cristocêntrica deve também depender da atuação do Espírito, pois é o poder do alto que impulsiona a igreja. É pela virtude do Espírito Santo que a igreja consegue, com autoridade celestial, mostrar que Cristo é o Senhor a todas aos povos. Essa é a base bíblica para a missão, nenhuma perspectiva humana pode a ela se sobrepor. Jesus enviou seus apóstolos para fazerem discípulos, em todas as etnias, até aos confins da terra, pregando arrependimento de pecados, testemunhando no poder do Espírito Santo.