28 de nov de 2013

Igrejas que (des)consideram a Biblia


A Bíblia é a Palavra de Deus, um livro sem igual, uma manancial de vida. A igreja cristã, desde os seus primórdios, se voltou para sua mensagem como verdade expressa de Deus. E assim deve permanecer, nenhuma igreja poderia se dizer cristã a menos que levasse a sério a leitura das Escrituras. Não me refiro à utilização do texto como pretexto, para ser mais específico, da mera condução da Bíblia para o culto. Ou mesmo, a pincelagem de algumas passagens a fim de extrair o que é de interesse de alguém ou de determinado grupo.
Uma igreja que considera a Bíblia, toma-a em sua completude, reconhece que ela é a infalível Palavra de Deus, não apenas em partes, mas da primeira a última página. É isso que Paulo quer dizer ao destacar que toda Escritura é soprada por Deus, e mais importante, proveitosa para a edificação da igreja. Mas isso não quer dizer que a Bíblia tenha igual valor em suas partes. Existem textos que são sombras, que não podem ser interpretados, a menos que tenhamos a luz do evangelho. Essa luz é o próprio Cristo, o intérprete por excelência do texto. Ele deu exemplo da sua maestria hermenêutica após a ressurreição.
Na verdade, Jesus é a chave-interpretativa das Escrituras, ninguém pode ter uma apropriada compreensão do texto, seja do Antigo ou do Novo Testamento, sem recorrer ao que Cristo tem a dizer a respeito. Esse foi o problema dos religiosos do tempo de Jesus, eles tinham suas regras interpretativas, seus pressupostos doutrinários, que os distanciavam da revelação. Uma igreja séria se dedica, com afinco, ao estudo da Bíblia, não apenas em tópicos, mas principalmente, em ouvi-la de forma expositiva. A escola hermenêutica de Satanás adora citar textos bíblicos descontextualizados, sem respaldo cristocêntrico, a fim de conduzir ao engano.
Isso quer dizer que a Bíblia pode ser usada para distanciar as pessoas para longe de Deus. Existem várias igrejas que estão se apropriando indevidamente de passagens bíblicas para fundamentarem o que Cristo não defende. Aspectos gramaticais e contextuais são desconsiderados, pior ainda, a voz de Deus, em Cristo, não é ouvida. Por esse motivo, as páginas da Bíblia são transformadas em leis e regras, geralmente pesarosas. É por isso que em alguns arraiais ditos cristãos a Bíblia não tem a menor graça. Isso porque ao amor de Deus em Cristo, demonstrado na cruz do calvário, motivação para a santificação, é desconsiderado.
Existem muitas igrejas que não deveriam ser denominadas de evangélicas. Por uma razão muito simples, elas simplesmente não se voltam para o evangelho de Cristo. A autoridade maior está fundamentada em seus líderes. Eles determinam, a seu bel-prazer, como devem se conduzir seus adeptos. Está na hora de resgatarmos o ensino expositivo da Bíblia em nossas igrejas. E também ter a coragem de assumir que as igrejas que desconsideram a Bíblia, não devem, sob qualquer hipótese, serem reconhecidas como cristãs. Toda igreja se levanta ou fica de pé dependendo do modo como trata as Escrituras.
Na verdade, é pela forma que uma igreja se submete à Palavra de Deus que identificamos seu caráter evangélico. Uma igreja que não valoriza a Bíblia, em que essa é apenas um pretexto para interesses individuais. Em algumas delas os membros a conduzem, mas não a leem, e se o fazem, é debaixo dos óculos de um grupo, que mesmo desqualificado, determina como essa deve ser interpretada. A Bíblia pode ser interpretada por qualquer pessoa, contanto que essa escute o que a igreja tem a dizer, que esteja em consonância com Cristo, mas, sobretudo, que considere o que o texto quer realmente dizer, atentando tanto para os aspectos linguísticos quanto contextuais.
Que as igrejas, algumas delas ditas evangélicas, se voltem mais para a Palavra de Deus, que estudem a Bíblia, que seus líderes se dediquem à ministração expositiva, que as a interpretação do texto seja feita com seriedade. E mais importante ainda, que reconheçamos que a Bíblia não é apenas um livro de curiosidades, ou mesmo de perguntas difíceis, mas uma palavra fiel e verdadeira, útil e proveitosa para ensinar, para conduzir à santificação. Assim fazendo, ela, como espada poderosa que é, lerá nossas intenções, transformará as nossas vidas, e no Espírito, trabalhará em nosso caráter, até que sejamos encontrados no padrão de Cristo.