13 de ago de 2013

Desafios do ministério pastoral

Paulo, em sua carta ao jovem pastor Timóteo, ressalta o valor do ministério pastoral ao reconhecer que “aquele que deseja o episcopado excelente obra deseja”. Talvez não possamos dizer o mesmo hoje, em uma sociedade marcada pela lógica consumista. Nem todos querem abraçar o pastorado porque não é condizente com o lucro, com a obtenção de recursos fartos e fáceis. Pelo menos se levarmos em consideração a prática bíblica do ministério cristão, que geralmente exige sacrifício. Mas como esse não faz parte do hedonismo moderno, até mesmo os pastores estão fugindo dessa premissa.
Jesus, o exemplo maior de Pastor, que entregou Sua própria vida pelas ovelhas, não é mais seguido, está fora de moda. Paulo, o imitador de Cristo, ofereceu sua vida em libação pelas igrejas que pastoreou. Não a tinha por preciosa, antes se gastou ao extremo, a fim de conduzir muitos ao Senhor. Por causa dessa sua opção, não foi compreendido por aqueles que queriam apenas tirar proveito, auferir lucros por meio do evangelho de Cristo. Por causa desses sofistas ministeriais, que apenas se utilizam do termo evangélico, para autopromoção, o evangelho tem sido envergonhado.
A mídia tem explorado de forma exagerada os descalabros do ministério pastoral. Com certa frequência os jornais noticiam escândalos de pastores que nenhum compromisso têm com o ministério genuinamente cristão. A famigerada teologia da ganância, denominada por alguns de prosperidade, descaracterizou a excelência do pastorado. Dominados pelo mundanismo, tais pastores, que se intitulam bispos e apóstolos, trocaram a Bíblia por jargões triunfalistas, e a simplicidade cristã por ostentação. A palavra sofrimento foi extirpada do dicionário pastoral, a felicidade deve ser buscada a qualquer custo, mesmo que comprometa o bem-estar espiritual das ovelhas.
Diante dessa celeuma, que confunde a cabeça de todos, principalmente dos não evangélicos, há apenas uma saída. Os pastores verdadeiros são chamados a desafiarem essa filosofia anticristã. O modelo bíblico de pastorado precisa ser resgatado, os membros da igreja não são clientes, mas ovelhas do rebanho de Cristo. A igreja não pode ser administrada como uma empresa, com sua hierarquia engessada. Devemos lembrar sempre que somos o Corpo de Cristo, e como partes dele, estamos firmados, funcionalmente, para auxiliar uns aos outros. Não podemos instigar à competitividade, como fazem as cooperações, precisamos investir na solidariedade, principalmente na generosidade.
Ao distanciar-nos da Bíblia nos esquecemos do real significado do pastorado, e deixamos de atentar para seus desafios. A menos que voltemos aos princípios estaremos fadados ao fracasso espiritual. O ministério pastoral não passará de uma franquia, na qual disputaremos espaços uns contra os outros. Adoeceremos todos, pois a ânsia por poder não nos permitirá mar. Esse adoecimento implicará nas atitudes em relação rebanho, confundiremos autoridade, sobretudo espiritual, com autoritarismo. Fugiremos para as torres inacessíveis dos escritórios, a fim de evitar relacionamentos duradouros. Na verdade, essa liquidez nos relacionamentos tornou-se condição necessária para ministros que fogem de qualquer envolvimento.
Preocupa-nos ver os jovens cristãos testemunharem todos esses descalabros do ministério pastoral. Estamos diante de uma geração de ministros que está na idade de “passar o bastão” para que outros deem sequência ao trajeto. Na verdade, poucos são os jovens que querem algum compromisso com o ministério, têm vergonha dos seus pastores, não querem ser associados a eles. Há até casos de filhos que não querem assumir publicamente que são filhos de pastores. Talvez essa seja a hora de resgatarmos os bons exemplos, propagar aos quatro ventos que, apesar de tudo, ainda existem homens sérios, obreiros que manejam bem a Palavra, que não têm do que se envergonhar.
Esses ministros, que são servos na etimologia do termo, certamente estão longe da mídia, não podem ser identificados porque não distribuem cartões, não promovem seu marketing pessoal. Eles se encontram nas vielas, sobem os morros das favelas em busca de almas perdidas. Como não colocam o dinheiro em primeiro plano, não têm o que ostentar. Ternos caros, sapatos luxuosos, carros importados, outras quinquilharias não os atraem.  Eles simplesmente vagam pelas ruas, se relacionam com aqueles que sofrem, leva-lhes uma palavra de alento, carregam no rosto um sorriso, e a esperança plena da realização do Reino de Deus. Conduzem uma Bíblia na mão e a Palavra de Deus no coração, não se vendem a interesses políticos, não buscam vanglória, pois seus olhos estão sempre fitos na eternidade.
A recompensa que eles buscam não está nesta terra, Jesus, o Supremo Pastor, que os vocacionou, os receberá na glória, dizendo-lhes: “servos fieis, entrem no gozo do teu Senhor”.

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