22 de set de 2012

O Caminho menos trilhado


A metáfora do caminho é recorrente na tradição humana para expressar o trajeto da existência. Essa comparação é tão comum no imaginário coletivo que fazemos uso de termos que fazem referência (des)caminhos da vida com naturalidade. A literatura ocidental está repleta de narrativas sobre jornadas e caminhadas. O clássico Contos da Cantuária, de Geoffrey Chaucer, é um exemplo dessa consciência. Um dos mais célebres livros cristãos, depois da Bíblia, é O Peregrino, de John Bunyan, e trata especificamente da caminhada de Cristão, a fim de chegar à Cidade Celestial.
Na Bíblia encontramos muitas passagens que se referem à vida como caminho, principalmente nos livros sapienciais. O salmista diz que “quanto a Deus, o seu caminho é perfeito; a promessa do Senhor é provada; ele é um escudo para todos os que nele confiam” (Sl. 18.30). E que “bom e reto é o Senhor, pelo que ensina o caminho aos pecadores” (Sl. 25.8). O sábio, em seus Provérbios, diz que “o caminho dos ímpios é como a escuridão: não sabem eles em que tropeçam” (Pv. 4.19) e acrescenta “há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte” (Pv. 14.12).
Como diz o antigo provérbio popular, todos os caminhos levam a Roma. Mas essa não é uma verdade respalda pelo texto bíblico. Os descaminhos são muitos, existe apenas um Caminho. A respeito desse caminho, profetizou Isaias: “E guiarei os cegos por um caminho que não conhecem; fá-los- ei caminhar por veredas que não têm conhecido; tornarei as trevas em luz perante eles, e aplanados os caminhos escabrosos. Estas coisas lhes farei; e não os desampararei” (Is. 42.16). Esse é o Caminho de Deus: “E ali haverá uma estrada, um caminho que se chamará o caminho santo; o imundo não passará por ele, mas será para os remidos” (Is. 35.8).
Esse Caminho nos é revelado na pessoa de Cristo, Ele identifica-se como tal ao declarar: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo. 14.6). Esse Caminho é de Deus, não dos homens, e não é para todos, “porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que a encontram” (Mt. 7.14). Isso porque ao invés de seguirem O Caminho, alguns preferem os descaminhos, ou o caminho de Balaão (Jd. 1.11). Não é difícil pegar o caminho errado, por causa disso, o Caminho da verdade acaba sendo blasfemado (II Pe. 2.22).
Mesmo as igrejas ditas cristãs podem se perder em seus descaminhos. O Caminho, que é Cristo, pode ser confundido com o de Herodes ou Caifás. Herodes é o caminho do poder, da fama, riqueza e glória humana. Seguir por ele significa negar o sacrifício da cruz, renunciar ao calvário. A política dos homens tem tudo a ver com este caminho. Muitos cristãos, enfeitiçados pela ambição terrena, trocam O Caminho de Deus pelos descaminhos de Herodes. Ele não mede esforços para continuar no poder, se preciso for sacrifica crianças, decapita profetas e desconsidera Jesus.
O caminho de Herodes se cruza com o de Caifás, na verdade se confundem. Aquele é o da política dos homens, este o da religiosidade interesseira. Herodes faz de tudo para ser amigo de Caifás, e este, por sua vez, toma proveito dessa relação. Para manter a tradição, faz conchavos com o poder, orquestra o povo para que esse incite Pilatos a lavar as mãos e se distanciar do Caminho. Os (des)caminhos de Herodes e Caifás são aplainados pela perseguição. Sacrificados são profetas e apóstolos, todos aqueles que os contrariam. Por seguir o Caminho de Cristo, Paulo diz que foi perseguido até a morte, e que, por causa disso, foi colocado na prisão (At. 22.4).
O sofrimento do Apóstolo encontra eco nas palavras de Drummond, ao atestar que também havia encontrado “uma pedra no meio do caminho”. Os que seguem O Caminho são criticados por não se moldarem ao status quo. Enquanto isso, muitos seguem apressadamente pelo cômodo caminho de Herodes e Caifás. Este, diferentemente do Caminho de Cristo, não tem cruz para carregar. Decisões na vida são inevitáveis, e essa é uma que precisa ser tomada.. O poeta americano Robert Frost tomou a dele: “Dois caminhos divergiam num bosque, e eu segui o menos trilhado, e foi o que fez toda diferença”. Muitos são os (des)caminhos dos homens, mas somente um Caminho conduz a Deus, Jesus Cristo, O Caminho “menos trilhado”. 



Um comentário:

Fruto do Espírito disse...

A Paz de Cristo Jesus,

A oração do justo pode muito em seus efeitos!
O Apóstolo Paulo, discipulador dos gentios e por extensão nosso, inspirado pelo Espírito Santo, deixou-nos ensinamentos preciosos para a nossa caminhada cristã.

Gostei da totalidade e conteúdo de suas postagens.
Simples, esclarecedoras e bastante didáticas.

PARABÉNS!!!

Precisamos estar com o olhos fitos no Senhor, orando e vigiando em todo tempo para não sermos pegos de surpresa.
O arrebatamento em breve acontecerá.

Satanás nestes últimos dias tentará de toda a maneira enganar/confundir os escolhidos. Por isso torno a dizer vigiar e orar é uma condição sineguagon.

A propósito se ainda não estiver seguindo o meu blog, deixo aqui o convite para visita.
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Temas bíblicos e mensagens abençoadoras.

Fraternalmente
Em Cristo,

***Lucy***