18 de dez de 2011

O céu é real

Livros que falam a respeito do céu estão na moda, por curiosidade, e também para edificação espiritual, resolvi ler os últimos lançamentos na categoria testemunho que abordam supostas visitas de pessoas ao paraíso. O primeiro deles 90 minutos no céu é a história do sobrevivente Don Piper, que narra sua ida ao céu após um grave acidente automobilístico. Recentemente, outro livro com essa temática entrou na lista dos best sellers do New York Times, trata-se de O céu é de verdade, escrito por Todd Burpo, com a cooperação de Lynn Vincent. Neste Burpo registra as dores que passou quando seu filho enfrentou complicações com abcessos resultantes de apendicite.
No lastro desse livro, outro acabou de ser traduzido e lançado em português pela CPAD. O Menino que voltou do céu, da autoria de Alex Malarkey (o filho) e Kevin Malarkey (o pai) descreve as lutas que ambos enfrentaram após um acidente automobilístico que levaram Alex a passar dois meses em coma. Ao sair do coma, a criança, que na época tinha apenas seis anos, conta suas experiências no céu. Os três livros surgem no contexto de uma era marcada, ao mesmo tempo, pelo surgimento do neoateísmo, de um lado, e da expansão da fé, mas supre, principalmente, a necessidade do ser humano de saber o que acontece do outro lado, depois da morte.
A leitura desses livros, de certo modo, me ajuda a continuar acreditando que o céu é de verdade. Mas, sinceramente, tentei manter certo ceticismo na medida em que acompanhava o relato dos autores. Acredito que são sinceros em suas narrativas, que não têm a pretensão de ludibriar os leitores. Mesmo assim, não sei se posso confiar cegamente nas experiências por eles escritas. Como filho da Reforma Protestante, que privilegia a autoridade bíblica, e do cientificismo, que se fundamenta na razão, mantive certa suspeição enquanto lia suas declarações sobre a visão de anjos, parentes, e do próprio Cristo no céu.
Essa ânsia por saber a respeito do céu é antiga, o ser humano sempre teve o desejo de saber o que acontece após a morte. E, sinceramente, a Bíblia tem pouco a nos dizer a esse respeito, existem poucas passagens que abordam esse tema. Mesmo assim, podemos saber, pela Palavra de Deus, que o céu é real, ainda que não possamos detalhar como será. Sabemos, pelo que revela Paulo aos Filipenses, que partir é estar com Cristo e é muito melhor (Fp. 1.23) e que sua preferência é estar ausente do corpo e habitar com o Senhor (II Co. 5.8). João, ao escrever o Apocalipse, declara que os que morrem no Senhor descansam das suas fadigas, e que suas obras seguirão (Ap. 14.11).
Em relação ao céu, somente podemos ter esperança, exercitada por meio da fé, convicção, tal como a de Paulo, ciente que quando a habitação terrena for destruída, teremos, da parte de Deus, um edifício, uma casa eterna nos céus, não construída por mãos humanas (II Co. 5.1). Por isso, diante das tribulações existenciais, ele afirmava estar pressionado dos dois lados, com desejo de partir e estar com Cristo, optando permanecer no corpo, por causa do evangelho, e da necessidade dos seus filhos espirituais (Fp. 1.24). Quando se encontrava preso, em Roma, no período de Nero, antecipando o dia da sua execução, declarou: eu já estou sendo derramado como uma oferta de bebida. Está próximo o tempo da minha partida (II Tm. 4.6).
Essa é a bendita esperança do cristão, primeiramente a volta iminente de Jesus, para arrebatar a sua igreja (I Ts. 4.13-17). Não temos motivos para desespero, pois, conforme assegura o autor da Epístola aos Hebreus, temos esta esperança como âncora da alma, firme e segura, a qual adentra o santuário interior, por trás do véu, onde Jesus, que nos precedeu, entrou em nosso lugar (Hb. 6.19,20). Na verdade, o fundamento dessa esperança é Cristo, já que Ele mesmo afirmou ter muitas moradas na casa do Pai, e o desejo de que estejamos com Ele para sempre (Jo. 14.2,3). Temos, como diz Paulo, confiança e preferimos estar ausentes do corpo e habitar com o Senhor (II Co. 5.8).
Quando chegarmos ao céu, nossa percepção será aguçada, e, deferentemente dos dias atuais, conheceremos plenamente (I Co. 13.12), e o mais importante, os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada (Rm. 8.18), ali o Senhor enxugará dos nossos olhos toda lágrima (Ap. 7.17; 21.4). Após a morte física, seguiremos para o céu, e ali estaremos em estado de consciência, mas não completos, pois aguardaremos a manifestação de Cristo, a fim de nos tornarmos semelhantes a ele, em glorificação (I Jo. 3.2; I Co. 15.42-44).
A existência terrena está repleta de “ses”, Marta e Maria, irmãs de Lázaro, lamentaram a ausência de Jesus e a associaram à morte de Lázaro. Elas prantearam, como o fazem as pessoas todos os dias, quando perdem um dos seus entes queridos. A morte, biblicamente falando, ainda é uma inimiga (I Co. 15.55), mas aqueles que recebem a Cristo como Salvador têm, dEle, a garantia de que foram libertos do poder e do medo da morte (Hb. 2.14,15). Diante da angústia e desespero de Marta e Maria, Jesus afirmou: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente".
O testemunho de Don Piper, Colton Burpo e Alex Malarkey são dignos de respeito, mas o de Jesus é de verdade, porque Ele é a Verdade, por causa dEle, cremos que o céu é real.