28 de mar de 2010

Ele está vivo

Nos dias que antecedem a Páscoa, as lojas ficam repletas de figuras de coelhinhos e de ovos de chocolate. Essas praticas acabam fazendo com que as pessoas esqueçam o verdadeiro sentido dessa celebração. Em sua Primeira Carta aos Coríntios, Paulo lembra-lhes que “Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (I Co. 5.7). Atentos a isso, os evangelistas – Mateus, Marcos, Lucas e João - narram com detalhes os momentos que antecederam a crucificação de Cristo. Isso demonstra a relevância que esse fato histórico-salvífico deva ter para a igreja. No alto da cruz romana, antes de entregar o espírito ao Pai, Jesus bradou: “está consumado”.
A partir de então, o sacrifício que nos traz a paz estava sobre Ele e pelas suas pisaduras fomos sarados, como profetizou Isaias 700 anos antes do ocorrido. O sofrimento de Cristo na cruz é objeto de estudo de vários estudiosos. Os cientistas assumem que as dores foram intensas. Os cineastas também exploraram as agruras que o Senhor passou no calvário. Mas todo esse sofrimento não teria sentido se Ele tivesse ficado na tumba. Talvez não passasse de mais um iniciador religioso ou pensador oriental, como tantos outros, cujos ensinamentos podem ser encontrados nos compêndios espirituais.
De acordo com o relato dos Evangelhos, ao terceiro dia, Cristo ressuscitou de entre os mortos. A partir desses registros, é possível destacar algumas evidências que comprovam a veracidade desse fato. Por ocasião da Festa da Páscoa, Jesus foi exposto publicamente à execução. A multidão clamou que Ele fosse crucificado, e que um outro prisioneiro fosse libertado em seu lugar. Ele fora crucificado entre dois malfeitores, e, por se aproximar o Sabath, dia sagrado para os judeus, os soldados romanos averiguaram se seria necessário antecipar a morte, mas isso não aconteceu com Jesus, pois os soldados constataram que Ele já havia morrido.
Como Jesus havia dito que ressuscitaria ao terceiro dia, uma Guarda Romana vigiou o sepulcro a fim de certificar-se que seus discípulos nas roubariam o corpo. Mesmo com essa vigilância, o túmulo foi encontrado vazio. Os oficiais pagaram aos guardas uma grande quantia em dinheiro a fim de que esses mentissem e dissessem que os discípulos haviam roubado o corpo de Jesus. Os guardas submeteram-se a esse risco por causa do dinheiro, pois poderiam pagar com a própria vida o descaso. Para os romanos essa justificativa seria mais preferível a assumirem que os guardas desmaiaram diante da presença do sobrenatural.
Uma das evidências cabíveis da ressurreição de Cristo é o testemunho de Paulo, que, em I Co 15.5-8, diz que Jesus, após ter ressuscitado, apareceu a Pedro, aos dozes apóstolos, e a mais de 500 irmãos, a Tiago e ao próprio Paulo. É digno de destaque que a maioria dessas pessoas, principalmente entre os 500 anos, naquele tempo, por volta do ano 55 d. C., ainda vivia. Por isso, Lucas, na abertura do seu livro de Atos, testemunha que Jesus, “depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando das coisas concernentes ao reino de Deus” (At. 1.3).
A mensagem do Cristo ressuscitado mudou drasticamente a vida dos seus seguidores. Quando Jesus fora preso, aqueles que O seguiam, até mesmo os do ciclo mais íntimo, se dispersaram. Pedro O traiu perante as autoridades religiosas e romanas da sua época. Mas após terem visto Jesus ressurgido de entre os mortos, suas vidas foram transformadas. Eles se tornaram destemidos, e se necessário fosse, sacrificariam suas próprias vidas pela verdade a respeito da qual testemunhavam (At. 5.29,42). De fato, muitos cristãos se tornaram mártires, entregaram suas vidas, foram devorados por leões no Coliseu, alvejados por flechas e até mesmo crucificados. Eles não temiam a morte porque sabiam que Jesus, o Senhor da Vida, havia ressuscitado. Essa verdade os instigava à esperança, pois, conforme instruiu Paulo, “o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita” (Rm. 8.11).
Ele está vivo, e porque Ele vive, como diz a letra de um clássico hino, “podemos crer no amanhã, porque Ele vive, temor não há”. Destarte todas as evidências, essa verdade precisa ser assumida por fé. O evangelista João narra que em uma das ocasiões em que Jesus apareceu aos seus discípulos, um deles, Tomé, não estava entre eles. Quando o reportaram a respeito do ocorrido, este disse não acreditar que aquilo fosse verdade. E acrescentou: “Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei” (Jo. 20.25). Oito dias depois Jesus apareceu novamente aos discípulos, dessa feita Tomé estava entre eles.
Jesus trouxe uma palavra compreensiva e, ao mesmo tempo, repreensiva a Tome: “Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente” (Jo. 20.27). Diante da revelação do Senhor, Tomé prostrou-se e O adorou: “Senhor meu, Deus meu!”. Jesus disse: “Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram” (Jo. 20.29). Existem provas históricas suficientes para acreditar que Jesus ressuscitou, que Ele está vivo, mas esse fato, conforme aconteceu com Tomé, pode ser desacreditado, por isso, somos instruídos, pela Palavra e pelo Espírito, a crer, ainda que não tenhamos visto. No futuro, como parcialmente no presente, seremos contados entre os bem-aventurados do Senhor.