24 de jan de 2010

Cristianismo, self-services e doces

Existe uma gama variada de cristianismos nos dias atuais. O número de agremiações que se dizem cristãs talvez ultrapasse o de self-services. Na verdade, há uma analogia apropriada entre certos cristianismos e os restaurantes nos quais as pessoas se servem. Há quem prefira os carboidratos, os salgados, e de preferência, os doces. Tais pessoas estão pouco preocupadas com os danos que os excessos possam trazer ao organismo. O prazer imediato sobrepuja as recomendações dos nutricionistas, e o descontrole resulta em problemas de saúde que podem ser evitados.
A esse respeito, o apóstolo Paulo, ainda no primeiro século, advertiu ao jovem pastor Timóteo a respeito dos dias difíceis que sobreviriam à igreja nos quais as pessoas não suportariam a sã doutrina e amontoariam para si mestres, conforme seus próprios desejos. Diante da quantidade de self-services eclesiásticos, muitos não mais suportam a costumeira genuína comida cristã. Ao invés de dobrarem-se perante a Palavra de Deus, buscam movimentos que façam com que se sintam bem. E certas igrejas tornaram-se especialistas nesse tipo de cardápio. Os famintos saem de casa não para se alimentar da Palavra de Deus, mas para comer os doces que estimulam positivamente as papilas gustativas.
Dependendo da recomendação dos especialistas, há lugar para os doces, mas esses devam ser usufruídos apenas como sobremesas, na medida certa, não como refeição principal. Os pratos principais, principalmente os mais saudáveis, tem gosto amargo. Alguns profetas bíblicos chegaram à essa dura constatação após provarem a comida de Deus. Mesmo assim, como sinal de amadurecimento espiritual, aceitaram a receita divina e recomendaram ao povo de Deus que seguissem a dieta. Essa mudança alimentar resultou em saúde espiritual para o povo. Evidentemente as crianças, que costumam gostar mais de doces, não simpatizaram com a idéia, mas acabaram por aceitar o processo de reeducação nutricional.
O problema é que determinados cristianismos modernos estão repletos de doces, estes com os mais variados tipos e cores de coberturas. As opções são tantas que, em especial as crianças, não sabem por onde começar, nem como terminar. Paradoxalmente, os ingredientes do cristianismo bíblico não se reduzem à satisfação pessoal. Quando alguém se decide por Cristo, uma série de práticas precisam ser desfeitas. O amor a Deus e ao próximo passa a ser o ingrediente principal de toda e qualquer refeição. Para tanto, é preciso abrir mão das receitas prontas e consagradas por alguns conceituados chefs de cozinha.
A humanidade decaída, bastante propensa ao hedonismo, tem dificuldade para digerir essa proposta. Certa feita, após Jesus ter multiplicado pães e peixes e alimentado uma multidão de famintos, fora criticado pelos religiosos. Eles fizeram pouco caso do milagre, acharam-no irrelevante em comparação ao maná provido por Deus. A mensagem provocativa do Mestre, ao se opor ao egoísmo pautado na tradição, fez com que muitos saíssem da Sua presença e optassem por um alimento menos sólido. Diante deles sobraram apenas os Seus discípulos, aos quais perguntou: Não querem também vocês ir após esses? Eles responderam: para quem iremos nós, Senhor, somente Tu tens palavras de vida eterna.
Nesses dias de fastio da palavra de Deus e de muitas ofertas de doces, convem, à igreja cristã, cumprir a sua dieta. Evitar os alimentos que apenas incham o corpo, mas que não nutrem o organismo. Ser criteriosa na procedência das comidas, a fim de não consumir substancias danosas à saúde. Voltar ao tradicional feijão com arroz, alimento outrora consumido pelos nossos pais. Ser parcimoniosa com os fast-foods para evitar os perigos das gorduras trans. Diante das mesas que nos são preparadas, é valiosa a recomendação do Senhor, a qual parafraseamos: Nem só de guloseimas viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.