26 de jul de 2009

Na companhia dos livros

Eles me acompanham aonde vou. Aguardando a vez no banco. Na fila do supermercado. Os livros estão sempre à mão. Fico angustiado quando estou em algum lugar sem um livro para ler. Esse fascínio teve início ainda na infância quando descobri os livros de Monteiro Lobato. Antes do Sítio do Pica Pau Amarelo ir para a tela da televisão, eu já conhecia as reinações de Narizinho e já admirava a sabedoria do Visconde de Sabugosa. No início da adolescência me presentearam com livro de Pedro Bloch, intitulado “Pai, me compra um amigo”. Identifiquei-me imediatamente com a estória de um menino solitário chamado Roberto que recebe um cachorro de presente do Pai.
Na medida em que o tempo passava, os interesses pelos temas variaram. As biografias passaram a fazer parte da lista de leituras. A maioria deles era obtida na pequena biblioteca municipal. Uns poucos eram comprados por minha mãe que abria mão da parca economia para retirá-los do correio. Nesse mesmo período descobri a poesia vibrante de Castro Alves a quem aprendi a admirar. Nos tempos de fé católica, devorei quase todos os livros do Pe. Zezinho. Devido aos seus aconselhamentos psicológicos, os anos difíceis da adolescência foram menos conturbados. Quando me tornei evangélico, nos idos de 1987, adquiri três livros fundamentais: Teologia Sistemática - de Raimundo de Oliveira, Geografia Bíblica – de Claudionor de Andrade, e Heróis da Fé – de Orlando Boyer.
Esse último teve um impacto marcante naqueles dias iniciais de fé evangélica. Acompanhava com lágrimas a biografia de cada um daqueles cristãos fervorosos: Martinho Lutero, Jonathan Edwards, Charles Spurgeon, John Wesley, entre outros. O Pr. Deusdete e o irmão Natan – meus discipuladores na fé – também me emprestavam livros. Desse ultimo usufrui de sua vasta biblioteca, principalmente dos livros de aconselhamento para juventude. Relembrando aqueles tempos, comparo com o momento atual. Estamos em plena efervescência da tecnologia. Dizem até que os livros sairão de circulação. Serão substituídos por mídias eletrônicas. Para alguns especuladores, investir em livros não passa de desperdício. Ainda que tenham certa razão, prefiro acreditar na sobrevida dos livros. Mesmo que seja “perda de dinheiro” para alguns, cada exemplar dos meus livros é um tesouro, o valor deles é pessoal, transcende as avaliações do mercado.
Tempos atrás, por falta de espaço, tive que me desfazer de alguns deles. Presenteei amigos e familiares e fiz algumas doações a bibliotecas. Os mais queridos continuam no seu devido lugar. Os clássicos da lingüística, literatura ou teologia têm espaço garantido na estante. Na área teológica, prefiro os comentários bíblicos: R. N. Champlin, Matthew Henry, Weirsbe e John Sttot, entre os devocionais destaco: Richard Foster, Eugene Peterson, Phillip Yancey e Brennan Menning. O conhecimento de outras línguas contribuiu bastante para a constituição do acervo em várias línguas, principalmente inglês, espanhol, francês e grego. Nos dias atuais, devido às facilidades da internet, e a queda do dólar, ficou mais fácil adquirir livros importados. Recebi recentemente, e já comecei a ler, todos os sermões de Charles Spurgeon em inglês.
Não consigo imaginar como teria sido minha vida sem os livros. Entristeço-me ao constatar que cada vez menos os jovens se dedicam à leitura de bons livros. Desperdiçam horas diante da televisão ou do computador. A realidade seria outra e o país seria diferente se as pessoas lessem mais. A reforma protestante aconteceu justamente ao redor de um livro e da máxima: sola scriptura. A Escritura, na verdade, não é qualquer livro, mas O LIVRO e esse ocupa lugar elevado na biblioteca. Tenho versões da Bíblia em vários idiomas, também nas línguas originais: hebraico e grego. Leio-a diariamente e tenho a profunda convicção de que ela não é apenas um best-seller. Inspirada pelo Espírito Santo, é útil e proveitosa para instruir a todos que querem crescer no conhecimento e na graça de Deus. Não é apenas um livro entre outros, é a revelação escrita de Deus, o testemunho profético e apostólico da encarnação do Verbo: a Palavra.