28 de set de 2008

O cristão e a política

Como deve ser a atuação do cristão diante da política? Não é fácil responder a essa pergunta, especialmente na efervescência das eleições municipais. Mesmo assim, ouso tecer algumas considerações a respeito. Quero deixar bem claro, a princípio, que não estou tomando partido. Tenho como objetivo, nessas mal traçadas linhas, refletir, e quiçá, instruir aos meus irmãos evangélicos a respeito de como proceder diante das urnas não só nesses pleito, mas em muitos outros que a esse sucederão. Preocupo-me com essa problemática, porque, a meu ver, nos tornamos alvos fáceis dos interesses politiqueiros.
Nada tenho contra a política, na verdade, o cristianismo fora o berço no qual a democracia fora criada. É preciso ser realista para reconhecer que o direito ao voto foi uma conquista que não podemos abrir mão. Os cristãos, como cidadãos não só dos céus, mas também da terra, precisam atuar no contexto social no qual estão inseridos. Isso, no entanto, precisa ser feito com maturidade, avaliando as conseqüências das decisões que serão tomadas. O voto é algo sério que não deva ser tratado irresponsavelmente. É uma pena que, para muitas pessoas, atuar na política não se distinga da torcida por um determinado time de futebol. O imaginário político brasileiro ainda se firma nessa cultura. Alguns evangélicos não gostam de futebol, mas canalizam o seu fervor para a política.
Os políticos sabem muito bem disso e não perdem a oportunidade para tirar proveito. Visitam nossas igrejas, chegam mesmo a portar bíblias, e não poucas vezes, ainda nos saúdam como se cristãos fossem. Alguns deles, ainda que na surdina, respondem por envolvimento em atos de corrupção. Nós, no entanto, fazemos questão de não saber o passado desses, e damos-lhes honras que não são devidas. A criticidade é um elemento preponderante para a saúde da democracia. Ser crítico, nesse sentido, é adotar uma postura profética, mais ou menos parecida com aquela dos profetas do Senhor. O poder é sedutor e todos aqueles que se envolvem com ele estão suscetíveis à corrupção. A fiscalização, na conjuntura democrática, é uma necessidade, a fim de que não sejamos levados pelo engano.
Como cristãos, precisamos também dar o exemplo e não nos envolvermos na política para tirar proveito próprio. Enquanto estivermos fomentando a cultura da politicagem, seremos cúmplices das mazelas sociais pelas quais o país passa. Não seremos capazes de adotar uma postura profética perante aqueles que se utilizam do dinheiro público para o enriquecimento ilícito. Essas colocações podem até ser confundidas com um pensamento de esquerda. Mas volto a dizer, não é esse o posicionamento que quero adotar. Na verdade, se olharmos para as leis eleitorais deste país, veremos que tudo o que estou dizendo aqui está fundamentado naqueles princípios. E se formos à fonte, veremos que a Bíblia, a Constituição Magna do cristão, nos instrui ao bem comum e a amar o próximo.
Nesse momento em que o Brasil carece de um posicionamento ético, especialmente no que tange à política, nós, os cristãos, precisamos dar o exemplo. Não nos envolvamos com candidatos que não têm compromisso com a sociedade, que, em sua história, fazem política não por vocação, mas tão somente para estar no poder e dele tirarem proveito próprio. Exerçamos o nosso dever político, votando e sendo votados, mas sejamos criteriosos em nossas escolhas. Pensemos em que tipo de cidade, estado e/ou país queremos para os nossos filhos. Para a construção de um futuro melhor, talvez seja necessário que sejamos menos imediatistas. A política do cristão, diferentemente da do mundo, está fundamentada no amor.
O amor, como nos ensinou Jesus, demanda sacrifício. Portanto, se quisermos encontrar um caminho cristão para a participação política, devemos está respaldados pela política do agape. Antes de votar, ou de ter qualquer inserção política, devemos perguntar: estou realmente comprometido com o amor ao próximo? estou disposto a me sacrificar pelo bem das pessoas? Estou investido do chamado para fazer diferença e abrir mão dos meus interesses com vistas ao bem-comum? Essa perguntas, a meu ver, servem não apenas para aqueles que desejam tomar parte na política, elas serão úteis, também, para avaliar que tipo de governante queremos. Isso posto, talvez alguém considere utópico demais para ser verdade. Mas quem disse que o cristianismo se envergonha de ser utópico?
A Bíblia dá, a esse disposição, um outro nome: esperança. E essa se manifesta na expectação pelo dia que, finalmente, Jesus será entronizado como Rei dos rei e Senhor dos senhores. Ainda que esse dia não tenha chegado, vivemos, como cristãos, já sob o Senhoria de Cristo, atuemos, pois, em amor, e na difusão do Reino que está dentro de nós.