27 de mai de 2007

Princípios de Jesus para a oração

Como não sabemos orar como convém, devemos, com humildade, chegar, como os discípulos o fizeram, e, diante do Mestre, pedir: Senhor, preciso orar com urgência, ensina-me! Esse pedido é necessário, porque, em virtude da natureza egoísta do ser humano, somos constantemente tentados a orar de acordo com os interesses particulares, os quais, podem estar distanciados do propósito de Deus. É comum ouvirmos orações que nada mais são do que a expressão das projeções humanas, e, em alguns casos, de ambições frustradas. É preciso também atentar para o fato de que em uma sociedade influenciada pelo consumismo, é possível que estejamos fazendo não as orações que Deus pôs em nosso coração, mas aquilo que a propaganda colocou em nossas mentes.
Para não incorrermos nesse equívoco, e orar apropriadamente, só há uma alternativa, é a de nos voltarmos para os princípios que Jesus deu aos seus discípulos a respeito da oração. A oração do Mestre nos impulsiona, antes de qualquer petição, ao reconhecimento da paternidade divina, ao fato de que Ele, como nosso Aba, é o amigo fiel com quem podemos desfrutar de intimidade. Não podemos esquecer que o objetivo central da oração é o desenvolvimento de um relacionamento cada vez mais íntimo com o Pai, com o “nosso” Pai. Esse “nosso” não pode passar desapercebido, por que nos inclina para a percepção de que, mesmo orando sozinhos, no recôndito do quarto ou em conjunto, na congregação, somos irmãos, portanto, filhos do mesmo Pai, reunidos debaixo da graça e do amor sacrificial de Cristo.
A percepção da paternidade divina é importante para que não incorramos no erro de pensar que Deus não passa de uma máquina na qual inserimos uma cédula com vistas à obtenção de algum produto desejado. Sendo Ele o nosso Pai, devemos, antes de tomar qualquer atitude, demonstrar humildade, a fim de alcançarmos, dEle, alguma graça. Um outro aspecto importante a ser considerado é que as súplicas primárias não são em relação a nós mesmos, mas ao reino de Deus. A intercessão missionária para que todos saibam que Deus é santo, que somos pecadores, achados e amados pelo Pai. Que o reino de Deus se estabeleça, já agora no território do coração dos homens, e, ao mesmo tempo, no anseio escatológico do que ainda está por vir, quando Cristo, por fim, estabelecerá seu reino futuro.
Em todos os momentos, não podemos esquecer que a vontade de Deus deva ser soberana em relação à vontade humana. Oramos mal quando queremos cumprir apenas os desejos da natureza humana, e, muitas vezes, na ânsia de cumprir as concupiscências carnais. Orar, em muitas situações, é rendição, ou seja, é abandonar as nossas vontades em prol da vontade de Deus que é sempre boa, perfeita e agradável. Seu projeto para nossas vidas é que vivamos em contentamento, não em conformismo, e isto quer dizer que devemos fazer o melhor para ter uma vida agradável, sem perder de foco que a meta é sempre a obtenção do “pão nosso de cada dia”, afinal, Ele sabe do que temos necessidade, portanto, não há porque temer as adversidades.Mas é possível que a adversidade não venha da carência de recursos, mas do sofrimento causado pelos outros. Nesses casos, não há outra saída senão apelarmos para o fruto do Espírito, e, com graça e amor, exercitar o perdão. O fundamento para esse exercício está na convicção de que fomos perdoados por Deus, e, portanto, devemos fazer o mesmo. Quando somos guiados pela graça de Deus, não somos levados pela tentação do Maligno. Ainda que Ele esteja à espreita, como um leão buscando nos devorar, sabemos que temos armas poderosas, em Deus, para vencer o príncipe desse mundo tenebroso. Quando ele oferecer as glórias do seu reino secular, que a rejeitemos, lembremos que não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus. Quando ele exigir de nós adoração, voltemos para o Senhor, reconhecendo que somente Ele é digno de toda honra, glória e poder. Não só agora, mas pelos séculos dos séculos. É assim que, rendidos aos pés do Mestre, ainda que contra a nossa vontade, dizemos: “assim seja”. E, seguindo tais princípios, aquilo que já está estabelecido no céu, também estará na terra, para a glória de Deus.